terça-feira, fevereiro 24, 2004
Carnaval? Duh!
E assim se passou mais um belo dia de carnaval... Alto! Belo? Ehrrrr... Não! Deprimente e horroroso dia de carnaval! Portugal é um país cheio de tradições mas, em vez de aproveitarmos o que temos cá dentro vamos buscar a porcaria de fora (como se a nossa já não chegasse!). É com algum desgosto que ouço as pessoas mais velhas falarem do que faziam nas suas aldeias quando eram jovens, havia mil e uma coisas giras mas, em vez de se preservar a tradição que interessa (sim, porque hoje em dia, grande parte da tradição que se preserva não interessa!), não, pomos uma k7 de samba (blarghhh!) e vamos pra rua nús dançar! Ai! Perdão! Não é nús! Esqueci-me do fio dental e das penas...
Photo by La Chapelle
Photo by La Chapelle
segunda-feira, fevereiro 23, 2004
"Un-Fashion"
Porque é que existem pessoas que acabam por nos tornar vítimas da poluição visual que elas próprias criam? Porque temos nós de sujar a nossa visão com figurinhas ridiculas que não sabem combinar duas peças de roupa? Uma corrente com calças de bombazine castanhas, sapatilhas de uma marca pipi com calças afuniladas saidas do bau com a tralha do início dos anos 90, t-shirt pop art com calções acabados de sair da barraca dos ciganos (cinque euró o calçõn de marca), casaco de napa roxo com a saiola minimalista, e muito mais, a variedade é ilimitada! Todos nós, cidadãos de bom gosto, deviamos estar creditados para impedir tamanhas atrocidades, porque não podermos nós julgar e condenar (claro!) essas figurinhas deprimentes? "- Tu aí nesse casaco tigresse, 15 anos nas masmorras"; "- Tu, sim tu com a t-shirt dos santamaria, 20 anos"; "- E tu? meia branca? a forca!!!"
quinta-feira, fevereiro 19, 2004
Cinderela
Meti as chaves na porta com os olhos a lacrimejar, entrei e coxiei até ao ponto de apoio mais próximo (um contador cheio de bibelots horrendos que me foram sendo oferecidos ao longo dos tempos). Posei as chaves e encostei-me, derrubando (infelizmente, digo eu) uma boneca de porcelana que me caiu aos pés (ora aqui está qualquer coisa nova!). Curvei-me para descalçar os malditos sapatos que me custaram uma fortuna e segui, com as meias ensanguentadas, até ao sofá, perguntando a mim mesmo qual teria sido a razão para ter calçado aquele objecto masoquista. O que é que no fundo nos leva a abdicar do conforto só para parecermos bem? Porque é que somos capazes de sofrer terríveis suplícios so para termos uma postura elegante? O que é que eu tinha na cabeça quando gastei o resto do meu saldo bancário para comprar aqueles sapatos?!? Não sei... mas espero amanhã calça-los de novo...
sábado, fevereiro 07, 2004
A Coimbrinha
"De vespa vai para as compras
A coimbrinha pela verdura
Vai formosa e não segura"
A coimbrinha (AKA beta) é um fenómeno histórico que nos tem ensombrado ao longo dos tempos; São mulheres (ou amostra de tal) que se destacam claramente das restantes. Têm um porte invulgar devido às suas botas com salto de prego que muitas vezes as deixam ficar mal, pois os saltos teimam em quebrar nas situações mais constrangedoras, por exemplo: na corrida para apanhar o autocarro; encostando a irritante vespa; cenas histéricas com as amiguinhas e até naquela ida especial ao cinema com o seu mostrinho cabeludo (leia-se: beto-com-o-cabelo-a-tapar-a-venta), mas mesmo assim as corajosas coimbrinhas aventuram-se! Como são heroicas!
Normalmente, o fenómeno coimbrinha, usa pólos às riscas, muito semelhantes aos toldos e barracas das praias portuguesas, em cores que tendem para o azul e vermelho, embora o amarelo pálido e o rosa desmaiado também seja alvo de preferências. Mas, mais importante que a cor, é a bandeira. As coimbrinhas são muito nacionalistas, um bom pólo de coimbrinha tem de ter obrigatoriamente uma bandeira, independentemente da nacionalidade/marca da bandeira (isso é quase irrelevante!), o que realmente importa é que tenha a bandeira (embora haja uma nitida preferência pelas cores marinho/vermelho/branco, como é o caso da bandeira Americana);
"- Que tendes em suas orelhas?"
"- São argolas, senhor, são argolas"
- Serão? Poderia jurar que acabei de ver um equilibrista do Cirque du Soleil num dos grandes arcos que tendes pendurados nas orelhas, fez umas acrobacias, balançou-se e lançou-se no vazio... Este é outro detalhe que destaca as coimbrinhas, regra geral aproveitam todo o tipo de objectos para pendurar nas orelhas, desde o mais simples pedaço de metal, passando por horrendos plásticos coloridos, decoração natalícia e terminando nas típicas argolas (Atenção, circulam rumores de que a roda não foi descoberta pelo homem mas sim por um antepassado das betas, que maravilhada pela forma circular se apressou a colocá-la nas orelhas, sendo mais tarde utilizada também para outros fins menos relevantes, claro!)
Recentemente tem-se assistido a uma nova tendência, os fluorescentes. O belo rosa shock com os tons acastanhados, o fabuloso verde fluorescente com o preto e o glitter gel à mistura e por aí... mais uma bela amostra do bom gosto da coimbrinha, embora se suspeite que estas novas tendências tenham surgido no contexto da auto-defesa, uma vez que fixa-las por mais que uns meros segundos começa a provocar ardor nos olhos, podendo, eventualmente, levar à cegueira temporária (o pepper spray tem os dias contados!). Para terminar, uma nota final sobre as imitações, sim é verdade, elas andam por aí! São as denominadas betas emergentes ou tentativas de beta, mas estas não representam grande perigo para as verdadeiras coimbrinhas pois são fáceis de identificar, basta estar-se atento aos pormenores pois as betas emergentes deixam muitos pormenores ao acaso, para além de que não costumam aparentar um ar seguro de si (ao contrário da verdadeira beta). A longo prazo, toda a coimbrinha tende a tornar-se tia, começando assim uma nova etapa...
A coimbrinha pela verdura
Vai formosa e não segura"
A coimbrinha (AKA beta) é um fenómeno histórico que nos tem ensombrado ao longo dos tempos; São mulheres (ou amostra de tal) que se destacam claramente das restantes. Têm um porte invulgar devido às suas botas com salto de prego que muitas vezes as deixam ficar mal, pois os saltos teimam em quebrar nas situações mais constrangedoras, por exemplo: na corrida para apanhar o autocarro; encostando a irritante vespa; cenas histéricas com as amiguinhas e até naquela ida especial ao cinema com o seu mostrinho cabeludo (leia-se: beto-com-o-cabelo-a-tapar-a-venta), mas mesmo assim as corajosas coimbrinhas aventuram-se! Como são heroicas!
Normalmente, o fenómeno coimbrinha, usa pólos às riscas, muito semelhantes aos toldos e barracas das praias portuguesas, em cores que tendem para o azul e vermelho, embora o amarelo pálido e o rosa desmaiado também seja alvo de preferências. Mas, mais importante que a cor, é a bandeira. As coimbrinhas são muito nacionalistas, um bom pólo de coimbrinha tem de ter obrigatoriamente uma bandeira, independentemente da nacionalidade/marca da bandeira (isso é quase irrelevante!), o que realmente importa é que tenha a bandeira (embora haja uma nitida preferência pelas cores marinho/vermelho/branco, como é o caso da bandeira Americana);
"- Que tendes em suas orelhas?"
"- São argolas, senhor, são argolas"
- Serão? Poderia jurar que acabei de ver um equilibrista do Cirque du Soleil num dos grandes arcos que tendes pendurados nas orelhas, fez umas acrobacias, balançou-se e lançou-se no vazio... Este é outro detalhe que destaca as coimbrinhas, regra geral aproveitam todo o tipo de objectos para pendurar nas orelhas, desde o mais simples pedaço de metal, passando por horrendos plásticos coloridos, decoração natalícia e terminando nas típicas argolas (Atenção, circulam rumores de que a roda não foi descoberta pelo homem mas sim por um antepassado das betas, que maravilhada pela forma circular se apressou a colocá-la nas orelhas, sendo mais tarde utilizada também para outros fins menos relevantes, claro!)
Recentemente tem-se assistido a uma nova tendência, os fluorescentes. O belo rosa shock com os tons acastanhados, o fabuloso verde fluorescente com o preto e o glitter gel à mistura e por aí... mais uma bela amostra do bom gosto da coimbrinha, embora se suspeite que estas novas tendências tenham surgido no contexto da auto-defesa, uma vez que fixa-las por mais que uns meros segundos começa a provocar ardor nos olhos, podendo, eventualmente, levar à cegueira temporária (o pepper spray tem os dias contados!). Para terminar, uma nota final sobre as imitações, sim é verdade, elas andam por aí! São as denominadas betas emergentes ou tentativas de beta, mas estas não representam grande perigo para as verdadeiras coimbrinhas pois são fáceis de identificar, basta estar-se atento aos pormenores pois as betas emergentes deixam muitos pormenores ao acaso, para além de que não costumam aparentar um ar seguro de si (ao contrário da verdadeira beta). A longo prazo, toda a coimbrinha tende a tornar-se tia, começando assim uma nova etapa...

Pézinho de gesso
Estava eu sentado numa esplanda, beberricando a minha dose diária de cafeína, quando dei por mim a pensar num dos grandes mistérios da humanidade, algo que realmente permanece inexplicável, que não tem razão lógica de ser mas que é um facto... Porque é que os homens continuam a usar meias brancas?!? Que estranha atracção é essa que 90% da população masculina sente pelas horrendas meias brancas? Fato sóbrio, em tons acinzentados, camisa clara, gravata escura, sapato elegante e... meia branca; Casaco de cabedal, t-shirt, calça de ganga desgastada (com um rasgãozito aqui e ali para dar o toque especial à la fashion victim/ mendigo), bota grossa e... meia branca; Camisa fresca, calça de linho, sandália e... meia branca?!? Sim! É verdade... O drama... O horror... ouvem-se choros na rua, gritos histéricos, e assiste-se a desmaios, tudo isto porque ninguém fica indiferente a este espectaculo de horrores, todos nós somos potenciais vitimas do "Homo-Pézinhus-de-Gessus"! Esta espécie que resiste entre nós, vive muitas vezes escondida, usando calças mais compridas de modo a que o pézinho de gesso nunca seja exposto, pois eles sabem que caso tal facto seja descoberto, a sua vida social estará aniquilada. Outros, assumem orgulhosamente a sua escolha, remetendo-se assim para ghetos, também denominados de associações de bairro ou cafés da aldeia; Mas, voltando ao âmago da questão, que motivo leva à existência do "Homo-Pézinhus-de-Gessus"? Qual é o motivo desesperante que leva alguém a continuar a usar (e comprar!!!) a degradante meia branca? A resposta permanece um mistério, depois de muita investigação continua a ser injustificável a estranha atracção sentida pelo arzinho kitsch que a meia branca dá...
Irritem-me...